A angústia é uma das queixas que mais escuto no consultório. Cada pessoa descreve de um jeito: aperto no peito, falta de ar, um nó na garganta, a sensação de que alguma coisa ruim vai acontecer. Quase sempre vem junto a frase “e eu nem sei por quê”.

Medo e angústia

O medo costuma ter um motivo claro. A pessoa tem medo de avião, de ser demitida, de uma conversa difícil. A angústia muitas vezes aparece sem motivo aparente, e é isso que a deixa tão difícil de suportar: você não sabe do que fugir.

Como a psicanálise olha para a angústia

Freud escreveu sobre a angústia a vida inteira e mudou de ideia algumas vezes. Numa das versões mais conhecidas, ele a descreve como um sinal, um aviso de que alguma coisa importante está acontecendo, mesmo que a pessoa ainda não saiba o quê.

Lacan dedicou ao tema um seminário inteiro, entre 1962 e 1963. É dele esta frase:

A angústia é aquilo que não engana.
Jacques Lacan, O Seminário, livro 10

Isso não quer dizer que a angústia seja boa, nem que a pessoa deva aguentar calada. Angústia dói, e ninguém precisa passar por isso sozinho. Remédio, quando indicado por um psiquiatra, pode ajudar bastante. O que a análise propõe, junto com o alívio, é tentar entender o que ela diz sobre a sua vida.

Na prática

É comum a angústia aparecer perto de uma decisão importante, de uma perda, de uma mudança de fase ou de um desejo difícil de admitir. Falando sobre isso em análise, com tempo, muitas pessoas conseguem ligar aquele aperto a coisas da própria história. Cada uma faz esse caminho do seu jeito.

Se a angústia estiver forte a ponto de você não conseguir trabalhar, dormir ou sair de casa, procure ajuda logo. O CVV atende 24 horas pelo telefone 188, de graça.

Este texto é informativo e não substitui um atendimento psicológico.